Rascunhos da Alma, dedicado à literatura poética. 

Poemeto

Poemeto

 

O Poemeto é um gênero textual que utiliza as palavras como matéria-prima, organizando-as em versos, estrofes ou prosa, ou seja, apresenta uma estrutura que permite defini-lo como gênero. Usa recursos para expressar uma linguagem  especial, responsável por dar vida às emoções e sentimentos. No poemeto pode ser usada a metáfora. É composto por diversas modalidades de estrofes: Dístico (2 versos); Tercetos (3 versos); Quarteto (quadra) Quintilha (6 versos); Septilha (7 versos), Oitavo (8 versos); Décimo (10 versos).

   

 

 

001 - As águas

Murmuram melodias 

Sonolentas, inaudíveis

Embaladas suave sinfonia

Cochilam quietude da noite

No aconchego manto de estrelas

 Iluminadas luar de prata.

 

002 - Aquarela

Tela, tons multicoloridos

Paleta, tintas espalhadas

Pincel delinear contornos

Paz, alegria, felicidade

Aspirações jorram alma

Esperanças nova trilha.

 

003 - Borboletas

Esvoaçam infinito

Pousam suavemente pétalas

Depositar singelo beijo

Botões que florescem

Aromatizam natureza

Em tons multicoloridos.

 

004 - Anoitecer

Sol esconde-se horizonte

Nasce noite firmamento

Negritude salpicada estrelas

Dama veste prata

Brinca esconde-esconde

Entre quatro fases.

 

005 - Árvores místicas 

Carvalhos, musgos florestas, 

Em cada sombra mistério, 

São frágeis galhos abrigam

Visitantes solitários e esquecidos

Enquanto ventos quadrantes

Viajam lépidos ramagens.

 

006 - Canção da primavera

Natureza sussurra

Música divina em harmonia

Com o tênue balé folhas

Guiados orquestras místicas

Que dedilha notas ternura e amor

Mensagens renascer e esperança.

 

007 - Caminhei

Rotas desconhecidas

Perdidas agrestes atalhos

Entre sinas e esperanças

Como companhia, silêncio

Em busca refúgio tempo

Aprendi aceitar desafios.

 

008 - Dueto

Duas Almas, dois sonhos

Raios tímidos de luar escassos

Folhas úmidas orvalho

Vaga-lumes ocultos iluminam

Dois lábios, beijo de amor

Sinaliza rota liberdade.

 

009 - Declínio

Folhas espalhadas gramados

Caminhos ermos e solitários

Sol pálido, raios desbotados

Outono, onde natureza declina

Introspecção toma conta alma

Vida horizonte despede-se.

 

 010 - Destino

Presságios escritos 

Entre ascensão e queda

Completamos destino

Chuva efêmera goteja tempo

Instantes bonança ou tempestade

Palavra nua, poema cru.

 

011 - Dias de Outono

Brisa fresca circunda

Natureza, seus reinos

Orvalho cobre veredas, ruas

Jardins coloridos vida fenece

Sino em planger contínuo

Prenuncia mudanças ciclo.

 

012 - Primaveril

Águas mansas belo amanhecer

Aromas sutis flores jardim

Enquanto pétalas despertam cochilo

Borboletas graciosas se aninham

Rima e poesia bordam paisagem

Pinceladas tela dia primaveril.

 

 013 - Despertar

Vida vazia solitária

Amor despediu com lágrimas

Porta aberta vento alado

Varre sensações, emoções

Esperanças, renúncias, desapego

Fustigando sentimentos.

 

014 - Desencontro

No tempo, na busca, nas metas

Sonhos perdidos ermos caminhos

Tortuosos delineados destinos

Notas musicais assobio do vento

Melodias lembranças sina

Solidão entre palavras e rimas.

 

015 - Encarcerada

Pensamentos oscilantes

Entre devaneios, fantasias

Vícios, erros, melancolia

Atitudes supervisionadas

Sentimentos desgastados

Alma e corpo fragmentados.

 

 016 - Efêmero

Despertar e adormecer.

Desamor, morte

Homem, eternidade

Sonhos, esperança

Sentidos, ilusão

Caminho de fantasias.

 

017 - Enigmas

Flores perfumam quimeras

Habitam templo interior diáfano

Véus que ocultam sentimentos

Enigmas passageiros tempo

Atravessam, passado e presente

Futuro, rumo cruel esquecimento.

 

018 - Escuridão

Noite vestida de breu

Chuva desaba espessa

Veredas, ruas desertas

Vento assobia e castiga

Ramos nus se curvam

Fantasmas, lamúrias dor.

 

 010 - Eu sou

Vento que sopra floresta

Cinzas tempestades bravias

Exuberante arco-íris colorido

Que se projeta ciclos vida

Às vezes sombras da dor

Ou, imagem efêmera alegria.

 

020 - Fantasias

Guardadas, segredos mente

Propagam oscilações lembranças

Viajantes insatisfeitos passado

Tomam formas, sombras desejos

Aprisionados tempo e história

Bagagem nefasta presente.

 

021 - Flores

Brisa sopra suave

Inebriantes, sutis essências

Exalam amanhecer

Primavera, flores multicoloridas,

Libélulas engalanadas dançam

Poesia flui em pétalas.

 

 022 - Há palavras

Ignoradas, sem sentido

Prometem impossível

Sem essência, por instinto

Irônicas que magoam

Há palavras que imploram

Silêncios que são temidos.

 

023 - Identidade

Medite metas

Crenças vivenciadas

Valores analisados

Passado distante

Presente com desafios

Que seja pleno instante.

 

024 - Jardim sentimentos

Semeado de quimeras

Sonhos encarcerados

Adubado com fantasias

Pétalas desfolhadas vento

Lágrimas saudade

Brota flor desesperança.

 

 025 - Meus Versos

Revelam pálida nudez

Paz infinita me cerca

No silêncio meus dias

Nos sonhos minhas noites

Quimeras em pensamentos

Enquanto existir vida.           

 

026 - Noite no arraial

Meninas belos vestidos

Meninos chapéu desfiado

Sanfoneiro abre quadrilha

Pares alegres mãos dadas

Passos bem marcados

Só olhares, sem palavras.

 

027 - O Tempo

Largura dias

Profundezas horas

Lua desponta na noite

Sol nasce no dia

Natureza e seus reinos

Passado, presente, futuro.

 

028 - Invernada

Vestiu terra de branco

Nevoeiro como obstáculo

Andantes vem estrada

Flocos penduram-se galhos

Lágrimas cristalizadas face

Até que sol descongele.

 

029 - Permita

Alegria habitar interior

Alimentar energia íntima vital

Que olhos face captem beleza

Reinos natureza que vibram

Que da alma sintonizem amor

Por semelhantes do universo.

 

030 - Quando amo

Arde fogueira das sensações

Labaredas paixão, emoções

Registra história sentimentos

Vertigens insights lembranças

Tristeza consome ausência

Luxúria e pecado presença.

 

031 - Meu Eu

Proprietário palavra ou silêncio

Viaja entre quatro ventos

Bagagem pensamentos errantes

Labirinto ideias inconstantes

Percepções, sensações desconcertantes

Emoções, sentimentos distantes.

 

032 - Alma colorida

Pincela estações com nuances

Flores, aromas que inebriam

Tinge natureza com rajar das brisas

Inunda homem energia enigmática

Ara e faz semeadura colheita

Bons frutos, coloridas flores.

 

033 - A Viagem

Bagagem cartas organizadas

Pilhas com fitas de cetim

Agasalho é tecido palavras

Horizonte vislumbro presságios

Tela mágica e inexplicável

Pincelada esperança, amor.

 

 034 - Alvorecer

Natureza desperta suave

Sol espreguiça raios

Pássaros abrem asas

Revoada rios, matas

Homem desperta sonho

Espreguiça-se, vida renasce.

 

035 - Brisas mensageiras

Em segredos esquinas do tempo

Beija como colibri flores

Laranjeiras, madressilvas, véu de noiva

Como pombo correio levam nas asas

Perfumadas missivas promessas

Àqueles que perecem amor.

 

036 - Águas Doces

Águas doces, límpidas

Jorra da fonte e forma lagos

Onde Ondinas dançam balé sutil

Melodia atrai e encanta

Em sua alva nudez flutuam

Notas de harpas angelicais.

 

037 - Despedida

Alicerçadas sentimentos

Projetada mente

Realizada com verbo

Escrita em pergaminhos

vento leva em suas asas

Na rota lembranças.

 

037 - Busca

Propósito incessante

Distante, inacessível

Mergulho indecisões

Habita fogo desejo

Cinzas cada instante

Homem incoerente.

 

038 - Beleza exterior

Olhos emitem valor exagerado

Máscara ilusória cobre face

Formas geométricas acentuadas

Enquanto, essência juventude

Por trás efêmera aparência

Guarda-se verdadeira essência.

 

039 - Abril

Terra sedenta nutrientes

Espia entre nuvens Sol

Pincela de azul firmamento

Espera que chuva seja mansa

Que arco-íris enfeite tela

Que pássaros façam revoada.

 

040 - Balé de Folhas

Carrilhões relógio natureza

Sussurram melodia folhas

Em piruetas caem ao rés do chão

Dispersas, cada sopro do vento

Ficam desnudos galhos frágeis

Curvados na estação outono.

 

041 - Beija-flor

Suga gotas orvalho

Que mitigam sede pétalas

Jardins primaveris coloridos

Quadrantes sopram suave brisa

Esvoaça gracioso beija-flor

Em busca do néctar preferido.

 

042 - Chuva miúda

Teu manto cobre terra

Aroma exala do mato

Caminhos cobertos lama

Fluxo água é constante

Intermitentes raios

Ruídos trovoadas.

 

043 - Corpo

Sacralidade, um templo

Memórias em ruínas

Lembranças, fragmentos

Dança macabra óbito

Acordes algozes tempo.

Féretros em silêncio.

 

 044 - Cores do pânico

Horizonte, negras brumas

Vestes passado, preto e branco

Pôr do sol ao cair da tarde

Palhaço gargalha insistente

Reflexo fatídico presente

Melancolia, solidão, tristeza.

 

045 - Contos

Criados mente expressos verbo

Às vezes realidades, outras fantasias

Na energia que serpenteia vida

Entre esperança traz alegrias

Ou, desesperança do caos

A oralidade transmite.

                     

 046 - Relógio

Aniquilador lembranças

Algoz insensível tempo

Ferro quente marca alma

Mecanismo desumano

Imponente me desafia

Ousado incessante tic-tac.

 

047 - Escrita

Ao tatuar grafias construo formas

Disfarço mágoas, sou toda prosa

Entre versos engano tempo

Amarga realidade discursa

Das quimeras faço esperanças

A ilusão é minha e não divido.

 

048 - Emoções

Oscilam de forma indefinida

Presente mente e atos

Sem modelo pré-definido

Faz parte dos mistérios

Profundos e enigmáticos

Cerceados essências.

 

049 - Imagens

Ofuscam tela mente

Movimentam-se sem nitidez

Entre névoas, tons de cinzas

Borrões, memórias maculam

Lembranças dos ontem perdidos

Incinerados no presente.

 

050 - Enfim

Mergulhei instante, suspiro do tempo

Enredei na teia, entre finito e infinito

Energia, corpo e alma, matéria e espírito 

Passagem horizonte rompe

Vislumbro entre névoas tempo

Única realidade, eternidade da luz.

 

 

051 - Meu Silêncio

Impulsiona à reflexão

Desperta sentidos

Esquece o inesquecível

Substitui o insubstituível

Perdoa o imperdoável

Para conhecer paz interior.

 

052 - Passos

Mesmos descalços fazem ecos

Do passado, minha história

Labirinto presente onde me perco

Passos param, ecos cessam

Atrás da esquina, o futuro temente

Soma de enigmas.

 

 053 - Esquecimento

Imagens brotam mente

Intervalos melancólicos

Fazem parte presente

Lembranças extraviadas

Sem norte, rumo precipício

Veículo esquecimento.

 

054 - Ventura

Sensações, emoções

Sem aviso, imprevisíveis

Quando sopro amor

Preenche lacunas desejos

Satisfaz alma, sentidos

Pincela tela intimidade.

 

055 - Folhas de outono

Natureza revestida de arte

Outono, folhas vermelhas

Com nuances de bordô

Algumas alaranjadas

Pinceladas ferrugem

Amareladas levadas vento.

 

056 - Manhã Outonal

Vidraças mostram névoa

Folhas secas jardim

Enrugadas, tempo

 Sol se infiltra nuvens

Pincela aquarela natureza

 Gotículas orvalho.

 

057 - Frio cortante

Inverno despe sobressaltos

Acumulados ciclos vida

Fragilidade vencer a sina

É gélida solidão, melancolia

Frio cortante perpassa alma

Anuncia tempestade, agonia.

 

058 - Flocos de Neve

Cobrem grama, umedecem faces

Sensação gélida que atrai

Emoções, compartilhar

Com inverno íntimo

Onde corpo físico definha

Alma congela dor.

 

 059 - Renascimento

Prados Floridos

Buquês tomilho

Aromatiza manhãs

Enquanto brisa beija relva

Homem reascende esperanças

Realizar sonhos escondidos.

 

060 - Rosas

Germinam enquanto sol aquece

Abrem pétalas receber orvalho

Multicoloridas no roseiral

Enfeitam alegrias vida

Símbolo, amor e paixão

Desfolhadas atapetam chão.

 

061 - Medo

Vendaval inexistente

Portas que abrem e fecham

Vozes estridentes

Fantasmas em lamentos

Cicatrizes de lembranças

Que teimam brotar mente.

 

062 - Memória

Receptáculo histórias vidas

Fatos registrados épocas

Pausas, lapsos lembrança

Reconhecidas individual ou coletiva

Legados valiosos futuro

Manter origens ancestralidade.

 

063 - Melancolia

Quando olhar divaga

Entre micro e macrocosmo

Vê campos desprovido de flores

Animais na busca de abrigo

Homem, em silêncio

Analisa a vida.

 

064 - Terceira idade

Duelo entre corpo a fenecer

Mente jovem quer ousar

Sentimentos passado hibernam

Fogo paixão de extingue

Soma relíquias e mistérios

Lembranças preservar memória.

 

065 - Meu amor

Sobrevoa horizonte

Sem fronteiras primavera

Pois vida renasce plenitude

Desperta orvalhos auroras

Sentinela paisagens sonhos

Pede passagem felicidade.

 

066 - Mulher

Sereno semblante

Sensual, rodeada de sonhos

Flor desabrocha e aromatiza

Espinho muitas vezes fere

Mistério, enigma, solução

Luz, música, sedução.

 

067 - Navegar

Dobras etéreos sonhos

Suavidade serena noite

Infinito entre lua e estrelas

Doces instantes devaneios

Em harmonia mágica e sensual

Timoneira entre rio e mar.

 

068 - Notas Musicais

Saleta com piano canto

Dedos calejados tocam teclas

Acariciam 7 notas musicais

Entre passado, presente, futuro

Melodia se expande em sinfonia

Penetra emoções, sentimentos. 

 

069 - Orquídeas

Cor exuberante, aroma inebriante

Exótica envolvida por mistério

Abre pétalas em aconchego

Para proteger paixão, amor

Enfeitiçou dias e noites

  Sentimentos enraizou.

 

070 - Passado

Quebra-cabeça fragmentos

Peças descoloridas tempo

Juntei, vi que perdi sentimentos

Emoções foram cerceadas

Esperanças foram soterradas

O tempo passa, sobrevivi.

 

 071 - Rota da Liberdade

Navio flutua

Imensidão noite

Águas profundas mar

Sem bússola, sem rota

Levando nos porões

Quimeras, esperanças.

 

072 - Paleta de cores

Em tons pastéis colori o céu

Suavidade tons surgiu lua

Magnifica, majestosa deusa

De azul índigo bordei infinito

Sopro magia acendi estrelas

Pincelei existência com esperança.

 

073 - Crepúsculo

Céu tisnado nuances

Noite cobre terra e mar

Lua desponta imensidão

Amiúde estrelas nascem

Paixões, emoções brotam

Amantes se entrelaçam.

 

074 - Aragem

Escutar gorjeio pássaros

Trinar mata virgem

Águas jorra entre pedras

Murmúrio sinfonia

Sentir frescura brisa

Ver balé folhas ramagens.

 

075 - Saudade

Mergulhar infinito emoções

Onde solidão busca companhia

Melancolia habita existência

Paciência espera reencontro

Entre quimeras e realidade

Ainda há tempo para ser feliz.

 

076 - Pensamento

Fremente chama acesa

Lamparina célere tempo

Entre alvorecer e crepúsculo

Oscilante, vagas lembranças

Vento forte sopra sonhos

Quimera extinta para sempre.

 

071 - Prerrogativa

Inicia análise pensamento

Entre paradoxos e contradições

Conhecimento essência

Certeza busca aspirações

Tecendo cada instante de vida

Arco-íris esperança e realizações. 

 

072 - Melodias

Voluptuosa revestida de magia

Dança acrobática serpenteia

Vagas explodem beira mar

Maresia inunda os sentidos

Alma dança asas esperança

Água, areia, o prazer em ais.

 

073 - Páginas em branco

Lacunas, sem escritas livro da vida

Folhas desbotadas e umedecidas

Fluem noite sufocando mágoas

Memórias se fixam lembrança

Até que o amanhecer traga repouso

Tenha início o rabiscar.

 

 074 - Imaginação

Pensamentos rumo à deriva

Olhar longe, no horizonte

Entre esperança e ceticismo

Silêncio interior, sacralidade

Inconsciente, oculto por véus

Até renascer certezas.

 

075 - Cobertas 

Piar coruja noite fria

Único ruído companhia

Adormeço coberta silêncio

Agasalhadas insights lembranças

Velhos e soterrados sentimentos

Esquecidos, suspensos no tempo.

 

076 - Se tece

Sonhos unindo lembranças

Olhos úmidos e semicerrados

Companhia algozes fantasmas

Que calaram verbo e ceifaram amor

Pesadelos, se vive assombrada

Acostuma-se com pavor.

 

 077 - Paisagem

Enlaça verdejantes colinas

Paisagem sensual torna-se nublada

Esconde-se magia momento

Doçura e ternura selvagem

Em rima, beleza, poesia

Macro e Micro em sintonia.

 

 078 - Sobre as asas

Embalada suave brisa

Banhado luar cintilante

Conto sonhos esquecidos

Lembro sorrisos em óbito

Fotografias desbotadas

Sepulcro das lágrimas.

 

 079 - Sonhos

Segredáveis, inconfessáveis

Corpo nu, trêmulo, torvelinho desejos

Noites insônia, sem máscaras

Envolvida sensível melodia

Penumbra alcova macia

Companhia solidão.

 

 080 - Silhuetas

Entre brumas do dia

Negritude noturna

Beleza esmaece

Cinza profundo cobre vida

Silhuetas tridimensional

Congelam em imagem.

 

 081 - Sob estrelas

Noite clara de verão

Beira mar, lua, estrelas

Leve brisa incita desejos

Ternura gestos acaricia

Enquanto águas murmuram

Melodias do prazer.

 

 082 - Solidão

Não permita que solidão se enraíze

Tome posse sentimentos

É astuciosa e envolve sutilmente

Manipula e absorve sem que percebas

Companhia silenciosa e traiçoeira

Rasga vestes da coragem e esperança.

 

 073 - Artesão do amor

Borda o contorno de meus dedos

Linguagem muda, gestos, suspiros

Lentamente contorno de meus olhos

Captando luz de minha essência

Meu sorriso, acariciar no beijo

Amor com filigranas ouro.

 

 074 - Labaredas

 Pradarias multicoloridas

Fragmentos músicas, aromas

Incitam paixões horas imortais

Envolvidos sonolências

Almas gêmeas enlaçadas

Entre labaredas paixão.

 

 075 - Sol Primaveril

Renascer vida natureza

Brota sentimentos homem

Percepções despertam sutilmente

Emoções inebriam corações

Pincelado com sensações

Tela essência interior.

 

076 - Cortejo

Música, alegria, festa bosque

Árvores vestidas verde musgo

Anjos varinhas mágicas

Aspergem pétalas de flores

Aves se beijam ramos

Humanos, relva se amam.

 

077 - Impressões digitais

Mãos unidas, suave carícia

Pele transpirando sensações

Dedos entrelaçados, em harmonia

Dois que se transformam em um

Às vezes por tempo longínquo

Outras, por momentos fugazes

 

 078 - Desacompanhado

Tudo é sinistro, silencioso

Tempo carrega braços

Solidão mesmos caminhos

Sem rota definida, sem bússola

Enquanto há vida, enquanto suspiram

Até corpo entrar em óbito.

 

079 - Livro da vida

Sino ao longe em lamento

Presente no entardecer

Ataúde, sem corpo, palavras

Rasuradas, indecifráveis

Velas queimam. labaredas

Incineração livro da vida.

 

080 - Sonoridade

Inúmeras, estranha

Harmônica, monótona

Secreta, misteriosa

Instrumentos musicais

Palavras, notas interiores

Seres reinos natureza.

 

081 - Canção

Letras, palavras

Notas melodiosas, canção

Música suave pensamento

Enquanto sombra passado

Desfila lembrança da escala

Segredos, em notas coração.

 

 082 - Sussurro

De um violino nostálgico

Melodias do passado

Que embalavam quimeras

Ciclos juventude, maturidade

No escutar doces palavras

Promessas e juras de amor.

 

083 - Beijos

Calaram-se palavras, frases soltas

Umedeceu boca com volúpia

Reascenderam velhos desejos

Ocultos e cerceados

Beijos tatuados na pele

Aroma e cor de cereja.

  

084 - Sonho

Flutua levado pelas correntezas

Carregados brisas que move

Folhas caídas margens rio

Pena perdida sem norte

Fluxo contínuo, felicidade

Eu, você, a paixão.

 

085 - Paz

Alegre, quando a terra exultante

Exala fragrâncias flores

Estrelas firmamento

Brisa morna quadrantes

Murmúrios vagas do mar

Paz habita alma homem.

 

086 - Pássaro

Proprietário liberdade

Alça voo entre nuvens

Em balé rasante ondas

Mergulho audacioso infinito

Para asas não existem fronteiras

Entregues carícias brisa.

  

087 - Aceno

Lenço acena beira cais

Olhar aflito reflete medo

Verte lágrimas saudade

Face umedecida pranto

Eternidade incertezas

Desfolha rosa adeus. 

                                                                         

088 - Dama

Caminha jardim florido

Vestido veludo carmim

Visão diáfana, delicada

Olhar estranho inflama

Voz, carente ternura

Sinfonia penetra você.

  

089 - Você

Semeia pureza e encanto

Em cada atitude cotidiano

Alimenta fonte sementes

Prósperas, colhe sucessos

Da esperança armazenada

Fonte sentimentos nobres.

  

090 - Viajantes

Escuna branca veleja

Sob manto estrelado noite

Viajantes, sonhos e devaneios

Vestidos tênues lembranças

Adornados de paixão e desejos

Em busca porto certeza.

 

091 - Altar

Divindades ornadas ouro

Sobre ara queimam aromas

Sacerdote curvado em prece

Sacrifica fragmentos vida

Grafias epigramas hereges

Gritos e prantos, hediondos.

  

092 - Hoje

Tempo fugaz, soma instantes

Vivenciados plenitudes

Se distanciam e viajam tempo

 Enraizados, emoções descompassadas

Desafios, obstáculos não superados

Horizonte, interrogação esfumaçada.

  

093 - Árvores nuas

Empilhando folhas mortas

Pelo vento que assobia penetrante

Nos galhos envergados e gélidos

Pássaros servem de abrigo para nudez

Com suas plumagens policromáticas

Em contraste com respingos de neve.

 

 094 - Quebra Cabeça

Velho quebra cabeça

Espalhado nas lembranças

Tentei juntar fragmentos

Inquiri discerni dirimi

Enterrei esquecimento

Montei uma nova história.

 

095 - Noite

Vestida o manto das brumas

Lua cheia se sobressai

Tempo lembranças, melancolia

Alimentar sonhos, esperanças

Espera manhãs luz

Percorrer destino traçado.

  

096 - Planar

Livre amarras

Saltitantes campos floridos

Sem hora de ir ou voltar

Sem lenço secar lágrimas

Sem documento identificar

Livre aspirar maresia do mar.

  

097 - Sou

Tela vazia para ser colorida

Com tons do arco-íris em nuances

A mão livre com suaves sensações

Emoções, sentimentos desconhecidos

Fixados na tela para ser admirada

Pelos doces olhos da alma.

  

098 - Sombra

Companhia inseparável

Às vezes sutil, indelével entre névoas

Outras grotescas, me assombra

Assim prossigo jornada diurna

Fantasmas permeiam meu sono

Não sei quando sou eu, ou sombra.

 

 099 - Visão 

Vestida seda escarlate

Corro entre jardins narcisos

Quimeras, um conto de fadas

Grama coberta de flores

Cavaleiro que traz esperanças 

Vestido de amor e paixão.

 

100 - Contexturas

Deslizo suave meus dedos

Compartimento da memória

Pensamentos brotam mente

Em silêncio busco respostas

Até que transparência aflora

Essência responde: Eu e Você.